sábado, 17 de abril de 2010

Quais materiais são ecológicos?


Além de beleza, funcionalidade e preço, o consumidor consciente leva em conta um novo critério: o impacto ambiental dos produtos em seu processo de fabricação. Saiba um pouco mais sobre seis matérias-primas que compõem móveis e revestimentos.



PLÁSTICOCondenado pelos ecologistas quando o assunto é embalagem descartável, o plástico obtém sua redenção no setor de móveis graças ao tempo de vida útil do produto. Trocando em miúdos: o problema não está no material, e sim na sua utilização. O plástico é um derivado de petróleo, mas apenas 4% da produção mundial do combustível é usada na sua fabricação.
Divulgação{txtalt}
Poltrona Jocker, de Heitor Écreli e Célio Teodorilo.
A boa notícia é que, entre os tipos de plástico empregados na indústria de mobiliário, a maior parte é reciclável. "Trata-se de um processo limpo", afirma Luís Illanes, da indústria catarinense Freso, que fabrica a poltrona Jocker, de polietileno. "No final da rotomoldagem, sobra uma casca de plástico parecida com uma borda de pizza. Esse resíduo é moído e volta ao processo para ser aproveitado em peças menos nobres", explica. Entretanto, o uso do plástico para a fabricação de móveis de design no Brasil ainda é restrito - diferentemente do que acontece na Itália, por exemplo. Mais conhecidas entre nós são as cadeiras e mesas de plástico branco vendidas em supermercados e muito comuns em áreas externas. Elas são feitas de polipropileno, um material 100% reciclável, que costuma durar muito desde que não sofra quebras por mau uso e excesso de peso.
Em resumo: por ter vida longa e ser reciclá-vel, o plástico é um material apropriado à fabricação de móveis. O mesmo não se pode dizer das embalagens plásticas descartá-veis.
"Vassouras, carpetes, solados de sapato, e outros objetos de nosso cotidiano são feitos
de plástico reciclado e ninguém se dá conta"

Silvia Rolim, da Plastivida, associação que estuda a relação do plástico com o meio ambiente

PEDRAUm dos preceitos básicos da arquitetura sustentável é aproveitar os materiais disponíveis próximo à obra. Portanto, em locais com pedra em abundância, utilizá-la é um procedimento adequado. No entanto, o impacto causado pela extração e pelos resíduos gerados em seu processamento requer cuidados. O maior problema da mineração de rochas ornamentais, de acordo com Tânia de Oliveira Braga, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), é a movimentação de grandes quantidades de terra.
Luis Gomes{txtalt}
Pedras pizarra revestem a sala de jantar projetada por Fabiana Avanzi e Tininha Loureiro.
O processo de extração é ainda mais impactante quando feito em blocos, como no caso do granito. "Sobram muitos pedaços de rocha que não têm uso." Já numa lavra de mármore bem conduzida, a quantidade de sobras é menor. Esse tipo de pedra também leva vantagem em relação ao granito no aproveitamento das sobras, que são moídas e usadas na agricultura, como corretivo do solo. Depois de extraídos, os blocos de pedra vão para as serrarias, onde são cortados em placas, e a seguir para as marmorarias, de onde saem como revestimentos, tampos e bancadas. Nessas etapas, o ponto crítico é o destino da chamada polpa, uma mistura formada pelo pó resultante da serragem e do polimento e pela água consumida nesses processos. Se liberado na natureza sem tratamento, esse material pode turvar e assorear os cursos d'água próximos.
Em resumo: o setor de pedras ornamentais ainda está se organizando na busca da certificação. Por enquanto, não é possível ter certeza de que o produto que compramos foi extraído e processado de acordo com as leis ambientais.
"A mineração inadequada das rochas provoca um grande movimento de terra. Estamos batalhando para criar uma certificação que garanta extrações apropriadas"Tânia de Oliveira Braga, geóloga do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT)

MADEIRAA garantia de origem da madeira mais reconhecida é o selo FSC (Conselho de Manejo Florestal). Estampado numa peça, atesta que a árvore veio de uma floresta manejada de forma adequada - seja ela nativa, seja plantada (caso de eucalipto, pínus e teca). É, sem dúvida, a melhor opção para quem procura consumir de forma consciente. Porém, quando o assunto são chapas de madeira reconstituída, instala-se a polêmica.

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